Você já reparou que não são brigas novas? É quase sempre a mesma discussão reciclada. O dinheiro, a divisão das tarefas, o tempo que um dá pro outro, a família. Muda o motivo aparente, mas o roteiro é idêntico. Um fala, o outro se defende, alguém levanta a voz, e no fim ninguém lembra mais como começou. Só sobra o gosto ruim de ter machucado e sido machucado de novo.
No meio da discussão, o cérebro humano faz uma coisa cruel: desliga a parte que entende o outro e liga a parte que se protege. Você para de ouvir o que a pessoa está dizendo e passa a ouvir apenas o ataque que você acha que está recebendo. Os dois fazem isso ao mesmo tempo. Não é falta de amor. É que ninguém consegue ser juiz e réu da própria briga ao mesmo tempo.
O celular deixou de ser distração e virou refúgio. O jantar em silêncio. À noite, as costas viram parede. E no dia seguinte está todo mundo sorrindo pra foto. Segurar sozinho é o que mais cansa.